MANÉGE DES CHAMPS



Há algumas décadas o Prof. Dr. Jair Franklin Oliveira Júnior está envolvido com cavalos de salto. No início apoiando e estimulando os filhos no hipismo clássico. Depois ele próprio montando, fazendo adestramento, participando de provas de salto e também criando cavalos da raça brasileiro de hipismo em Campinas, Estado de São Paulo, Brasil.

Os anos foram se passando e hoje o Dr. Franklin, como é chamado pelos amigos e pacientes vem aliando seus conhecimentos de psicologia, psicanálise, grupanálise, psiquiatria, à criação de cavalos exclusivamente para o salto.

Se você acredita que o cavalo de salto tem o fator psicológico como um dos pontos principais no seu treinamento e na sua performance para saltar, além é claro da genealogia e conformação, então você pensa como o Dr. Franklin. Diz o Dr. Franklin; " já ví excepcionais animais serem perdidos de um dia para outro por serem mal entendidos em sua psicologia, ainda acontece muito disso no Brasil ".

Como professor da Unicamp há mais de trinta anos, com mestrado e doutorado em psiquiatria, admirador de Monty Roberts e sua doma psicológica, o Dr. Franklin está empregando no treinamento dos cavalos de salto técnicas psicológicas pioneiras no Brasil e no mundo. Nossos potros são domados após dois anos e depois da doma fazem muito exterior, caminhando junto com cavalos árabes que fazem enduro. Adquirem a confiança e calma dos cavalos enduristas ao fazerem passeios no ambiente exterior ainda desconhecido para eles. Ao completarem mais de três anos as éguas são emprenhadas para um primeiro potro, após criteriosa escolha do garanhão e depois do desmame iniciam o adestramento. O trabalho de saltar vem depois.

Como conhecedor dos principais criatórios do mundo e com potros dos melhores garanhões destes criatórios, como VDL ( Wiepke van de Lageweg ), em Bears na Holanda, Team Nijhof também na Holanda, Zangersheide em Lanaken na Belgica, e pequenos mas importantes criadores alemães, Dr. Franklin procura trazer para o Brasil a filosofia européia: criatórios pequenos, com poucos potros por ano, porém muita qualidade e com um manejo voltado para o desenvolvimento psicológico do animal. Transmitir confiança e diminuir o medo é seu lema.

Lidar com cavalos é lidar com a comunicação não verbal. É exercitar a sensibilidade para compreender a linguagem não verbal, ou seja, corporal, espacial, muscular, de pequenos sinais e sintomas, a comunicação primitiva. O cavalo é um alexitímico ( a=sem, lexus= palavra, timos=afeto ), ou seja, um ser que não comunica seus afetos pela via oral e sim por outras formas de comunicação primitiva. Um médico pediatra precisa entender o que se passa com um bebê, ou uma criança um pouco mais velha, baseando-se apenas em sinais e sintomas e na comunicação não verbal.

Assim é com o cavalo. Já foi o tempo da força bruta, da falta de sensibilidade na doma, no treinamento. Hoje se procura o homem do cavalo que saiba entender a linguagem do animal baseando-se na inteligência emocional, na sensibilidade e no afeto. E o cavalo é um animal muito sensível, com os sentidos extremamente aguçados, capaz de perceber o que nós humanos não percebemos, capaz de captar sinais que nem de longe percebemos. Quem lida com cavalos sabe bem disso.
Assim treinar cavalos é um exercício de comunicação, de aplicação da psicologia da comunicação.

Quem souber se comunicar e se entender com os cavalos será recompensado por eles.


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